segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Desbastar a Pedra Bruta



Para os existencialistas, corrente filosófica que defende a precedência da existência sobre a essência, destaque para Jean Paul Sartre [1905-1980], o homem é responsável por aquilo que é, ou seja, não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você. Conclui-se então, e é o próprio Sartre (2012, p.26) quem afirma, que “se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é”. Entretanto, decorre daí que, se o ser humano é responsável pela sua individualidade, ele também o é por todos os outros indivíduos.

Em outras palavras, a nossa responsabilidade é “muito maior do que deveríamos supor, pois envolve a humanidade como um todo” (Ibid, p. 27). A responsabilidade para com a nossa existência, nos leva a refletir sobre o “desbastar a pedra bruta”, tarefa do aprendiz, mas que é de todo maçom, visto que, independente do grau, somos todos aprendizes.

Jules Boucher (1993, p. 173) nos ensina que a “pedra bruta simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o maçom deve se esforçar para corrigir”. É a personalidade rude do aprendiz, cujas arestas ele deve aplanar e que, para tanto, precisa disciplinar, educar e subordinar a sua vontade (FIGUEIREDO, 1970, p. 312). Desbastar a pedra bruta seria, portanto, um trabalho sobre as impurezas do próprio “eu” e, simbolicamente, o aperfeiçoamento e evolução na Ordem Maçônica (CASTELLANI, 1995, P.67).

Concluindo, vale lembrar o filósofo neoplatônico Plotino [205-270], que chamava a atenção para o fato de que cada indivíduo tem que esculpir a si mesmo [desbastar a pedra bruta?] de modo que daí resulte uma totalidade harmoniosa. Este aprimoramento contínuo é a maior tarefa de um maçon.

Referências:



BOUCHER, Jules. A simbólica maçônica. São Paulo: Pensamento,1993.
CASTELLANI, José. Dicionário de termos maçônicos. 2.ed. Londrina: A Trolha, 1995.
FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de. Dicionário de maçonaria. São Paulo: Pensamento, 1970.
SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 2012.
Autor: Professor Mario Alencastro - M.M.

Nenhum comentário:

Postar um comentário